Sistema Legado · HealthTech · B2B2C · TOTVS

Redesign de um sistema legado crítico para reduzir dependência de suporte e aumentar autonomia do usuário

Reestruturação da experiência de um portal de planos de saúde sem atualizações desde 2013, com foco em clareza, eficiência e conformidade regulatória. Atuei na descoberta, redefinição da arquitetura da informação e validação com usuários, impactando diretamente a eficiência das tarefas críticas.

Cliente
TOTVS Saúde
Papel
Product Designer
Contexto
Sistema Legado
Regulação
ANS
Escopo
Discovery → Protótipo
Taxa de sucesso
94%

Contexto

Um portal crítico parado no tempo.

O portal do beneficiário era a principal interface digital para usuários acessarem serviços do plano de saúde — solicitação de reembolso, busca de prestadores, acompanhamento de status. Apesar da sua importância, o sistema não recebia atualizações estruturais desde 2013.

🌀
Fluxos complexos e inconsistentes
Navegação sem padrão entre seções, com ações conflitantes e ausência de feedback ao usuário.
🎧
Alta dependência de suporte
Tarefas simples geravam volume de atendimento porque o usuário não conseguia concluí-las sozinho.
⚠️
Erros regulatórios frequentes
Campos obrigatórios exigidos pela ANS sem padronização geravam inconsistências e retrabalho.
📉
Baixa autonomia do usuário
O sistema não empoderava o usuário — ele precisava de ajuda externa para completar ações básicas.

O desafio era modernizar a experiência sem comprometer regras regulatórias e processos existentes — um equilíbrio entre usabilidade e conformidade.

O Problema Real

Não era só frustração — era impacto direto na operação.

Usuários não conseguiam completar tarefas básicas sem ajuda, aumentando o volume de atendimento e o custo operacional. Inconsistências na interface geravam erros no preenchimento de informações exigidas pela ANS, criando riscos para o negócio.

👤
Experiência
Usuários abandonavam tarefas críticas por não entender o próximo passo
📞
Operação
Volume de suporte elevado por tarefas que deveriam ser auto-serviço
⚖️
Conformidade
Erros no preenchimento de campos ANS geravam risco regulatório real

O problema não era apenas de usabilidade — era de eficiência operacional e conformidade regulatória.

Pesquisa

Entrevistas com os três lados do fluxo.

Mais do que identificar problemas de interface, a pesquisa revelou falhas estruturais no fluxo de uso. Conduzi entrevistas com diferentes perfis envolvidos no processo para ter visão completa do problema.

Beneficiários
Atendentes de suporte
Áreas internas responsáveis
🔍
Falta de clareza nas etapas
Usuários não sabiam o que acontecia após uma ação. Ausência de feedback em momentos decisivos gerava dúvida e retrabalho.
🔀
Inconsistência entre fluxos
Padrões de interação diferentes para ações similares criavam desorientação — o que funcionava em uma seção não funcionava em outra.
📋
Formulários sem orientação
Campos obrigatórios sem contexto e mensagens de erro genéricas geravam erros recorrentes — especialmente em solicitações de reembolso.
🎧
Suporte como workaround
Atendentes relataram receber chamados para tarefas triviais. O suporte tinha virado o manual de instruções que o sistema não oferecia.
Entrevistas com usuários — Portal do Beneficiário Ver imagem

Priorização

Diante de múltiplos problemas, critério define o caminho.

Utilizamos uma matriz de priorização para identificar oportunidades com maior potencial de reduzir fricção e dependência de suporte. A pergunta central que orientou todas as decisões:

Pergunta norteadora
Como permitir que o usuário resolva tarefas críticas
sem depender do atendimento?
01
Impacto no usuário
Quão frequente e crítica é a tarefa afetada? Quantos usuários enfrentam esse problema?
02
Impacto no negócio
A solução reduz volume de suporte, risco regulatório ou custo operacional?
03
Viabilidade técnica
É possível implementar dentro das restrições do sistema legado e das regras da ANS?
Matriz de priorização — Portal do Beneficiário Ver imagem

Arquitetura

Reestruturação dos fluxos principais da plataforma.

A reestruturação começou pelos caminhos do usuário. Mapeei e reorganizei os pontos de decisão ao longo de cada jornada, criando uma base para alinhamento com desenvolvimento.

1
Reduzir ambiguidade nas etapas
Cada passo do fluxo passou a ter uma ação clara, feedback visível e caminho de volta explícito — eliminando a incerteza que gerava abandono.
2
Garantir consistência entre fluxos
Padrões de interação unificados entre reembolso, busca de prestadores e acompanhamento de status — mesma lógica, mesmas convenções.
3
Diminuir erros no preenchimento
Campos obrigatórios da ANS com contexto, validação em tempo real e mensagens de erro acionáveis — não apenas alertas genéricos.
Fluxograma — Portal do Beneficiário Ver imagem

Prototipação

Iterações guiadas por evidências, não por suposição.

Com os fluxos definidos, desenvolvi protótipos de baixa e alta fidelidade para validar as soluções antes da implementação. Cada iteração foi guiada por evidências coletadas nos testes.

Melhoria
Navegação orientada
Breadcrumb e indicadores de progresso em formulários — o usuário sempre sabe onde está e quanto falta.
Melhoria
Separação clara entre ações
Botões "voltar" e "próximo" separados visualmente, com hierarquia e peso corretos para cada contexto.
Melhoria
Feedback em tempo real
Validação de campos durante o preenchimento, não apenas ao submeter — reduzindo erros e retrabalho.
Melhoria
Mensagens de erro acionáveis
Erros com contexto e orientação de correção — especialmente em campos regulatórios da ANS.
Wireframes e protótipo — Portal do Beneficiário Ver imagem

Resultados

Os testes validaram a efetividade das mudanças.

Os resultados indicam uma experiência mais clara, eficiente e alinhada às necessidades reais dos usuários — com impacto direto na autonomia e na confiança no sistema.

94%
taxa de sucesso nas tarefas com usuários reais
9,5
NPS médio após testes de usabilidade
📉
Redução de erros no preenchimento de campos regulatórios
🙋
Maior autonomia — usuários completando tarefas sem ajuda
Conformidade com requisitos ANS preservada

O portal antigo era tão confuso que não dava nem pra usar na produção.

Portal após o redesign Antes
Portal antes do redesign Depois

Aprendizados

Projetar para sistemas regulados exige equilibrar usabilidade, clareza e conformidade.

Problemas de UX muitas vezes são estruturais, não apenas visuais. Trocar cores e fontes não resolve — é preciso redesenhar os fluxos e os pontos de decisão.
Decisões de arquitetura têm impacto direto na eficiência operacional. Um fluxo bem estruturado reduz o volume de suporte sem precisar de nenhuma feature nova.
Envolver múltiplos stakeholders é essencial para soluções sustentáveis. Beneficiários, atendentes e equipes internas tinham perspectivas complementares — sem todas, a solução seria parcial.
Simplicidade em contextos complexos exige rigor, não simplificação superficial. Cada decisão precisava funcionar dentro das restrições da ANS — o que reforçou a necessidade de pensar em produto, não só em interface.

Atuar nesse contexto exigiu transitar entre design, negócio e restrições regulatórias de forma constante — reforçando meu papel na interseção entre experiência, produto e estratégia.